terça-feira, 11 de outubro de 2011

DELFIM NETO FALA DAS MUDANÇAS NA ECONOMIA DO MUNDO

TRANSCREVO A ENTREVISTA PARA FUTURA AVALIAÇÃO DAS OPINIÕES DE DELFIM NETO. LEMBRO AOS MEUS LEITORES QUE A FERRAMENTA QUE FALTA PARA REALIZAR ESSE OTIMISMO DO EX-MINISTRO É NOSSO "IMPOSTO ZERO"

Fonte - Revista Conjuntura Econômica - FGV

Vol 65 nº 09 SETEMBRO 2011


Cláudio Accioli
, de São Paulo

Houve um tempo no Brasil em que o cargo de ministro da Fazenda era quase tão importante quanto o de presidente da República, dada a autonomia concedida ao seu ocupante, cuja imagem frequentemente se confundia com a da própria política econômica adotada pelo país. Conhecido pela fina ironia, humor ácido e frases de impacto, Antônio Delfim Netto talvez seja um dos maiores expoentes dessa época. Ministro da Fazenda entre 1967 e 1974, ele foi o artífice do polêmico “milagre econômico”, período em que o PIB cresceu a taxas superiores a 10% ao ano. Foi também ministro da Agricultura e do Planejamento, embaixador do Brasil na França e, por cinco mandatos consecutivos, deputado federal por São Paulo. Nesta entrevista, Delfim traça um panorama abrangente da economia mundial e mostra que, aos 83 anos, revisitou conceitos, mas manteve intacta a verve que sempre o distinguiu: “Quem não estiver confuso está mal informado”.

Conjuntura Econômica — Como o senhor analisa as transformações que vêm ocorrendo na economia mundial?

Delfim Netto — Em primeiro lugar, é preciso dizer que quem não estiver confuso está mal informado. Todos nós temos hoje uma dificuldade de entender como foi possível chegar a esse ponto. Seguramente, o que vai sair do outro lado é um mundo diferente, mas que continuará no caminho que o homem vem seguindo desde que saiu da África, há 150 mil anos, de procurar um sistema de organização social que lhe assegure três condições: uma certa eficácia produtiva; independência e autonomia cada vez maiores; e uma relativa igualdade. Os dois primeiros objetivos foram construídos ao longo do tempo, num processo de seleção quase biológica. A esses elementos, o Estado tentou acrescentar a igualdade, arbitrando um processo que vem se desenvolvendo principalmente após a Revolução Industrial, com a adoção de políticas sociais. Mas trata-se de um processo altamente competitivo, uma corrida que, para ser honesta, deve permitir que todos se alinhem no mesmo ponto de partida, não importa se você nasceu na suíte presidencial do Waldorf Astoria ou foi fabricado na Lapa. É um processo civilizatório, de justiça dentro do capitalismo. E avançamos muito nessa direção. Hoje, eu vejo críticas de que a atual crise é consequência do welfare state. Coisa nenhuma. Essa crise que está aí resulta de governos incompetentes, míopes, e de uma disfunção do sistema financeiro, que em vez de servir ao setor real acaba servindo-se dele. Os derivativos podem estimular uma melhoria de funcionamento do sistema, mas também podem se tornar armas de destruição em massa, porque os bancos centrais — na verdade, os governos — não conseguiram entender aonde eles iriam nos levar. A crise atual não teria se instalado se o Fed (Federal Reserve, banco central americano), o Banco Central da Inglaterra e o BC europeu soubessem o que estavam fazendo. Deixar quebrar o Lehman Brothers do jeito que deixaram mostrou como eles eram absolutamente míopes, estavam surfando no mundo que produziram. As inovações não são más; elas foram mal usadas. Isso tende a mudar.

CE -Qual o caminho mais curto para essa mudança? Qual é a grande dificuldade?

Delfim - É que o setor financeiro deu um passo avante. Agora, ele não só se apropriou do setor real, mas também das instituições políticas. Alguém tem dúvida de que o Fed pertence ao sistema financeiro americano? A Lei Dodd-Frank é a maior prova de que eles são donos do Congresso. Conseguiram produzir um documento com 2.200 páginas, que cria 140 novas instituições. Ou seja, é aquele tipo de solução do “mudar tudo para deixar tudo como está”. Essa crise é uma repetição da crise de 1929, o que mostra claramente que o sistema financeiro, uma vez desimpedido e desregulado, produz sempre os mesmos efeitos. Eu costumo brincar dizendo que os banqueiros sempre voltam ao local do crime. É visível que o sistema financeiro e bancário precisava ser salvo, mas não é visível que os acionistas dos administradores desse sistema deveriam ser salvos. Por que a coisa não funciona nos Estados Unidos? Porque o presidente Obama perdeu a credibilidade. Assessorado pela academia, que é simbioticamente ligada ao mercado, protegeu Wall Street e esqueceu-se da Main Street. Qual foi o custo dessa brincadeira? Todos os acionistas perderam alguma coisa, os administradores saíram riquíssimos e o resultado final são 25 milhões de americanos desempregados ou semiempregados. Ou seja, os trabalhadores honestos pagaram o preço do sistema financeiro desonesto. Essas coisas terão que mudar. Não por conta da legislação que aí está, mas porque as duas grandes instituições que mantêm o sistema capitalista, o mercado e a urna, vão se equilibrar: quando o mercado produz muita distorção, a urna corrige; quando a urna produz muita distorção, o mercado penaliza. Esse jogo dialético vai continuar, e o que sairá do outro lado é uma economia de mercado, que eu chamaria de capitalista, provavelmente melhor do que a que temos hoje. É um processo civilizatório para o qual não apareceu alternativa mais interessante. Lentamente, estamos caminhando para instituições em que a cooperação, o altruísmo e as preocupações com o meio ambiente são maiores, enquanto a restrição ao crescimento é um pouco mais aguda, porque pela primeira vez se tem consciência de que não cabem na Terra dez bilhões de pessoas com renda per capita de US$ 20 mil. Há que se acomodar isso da melhor maneira possível.

CE - No caso da Europa, os bancos centrais de alguns países socorreram instituições financeiras locais em dificuldades. Porém, como esses riscos são automaticamente assumidos pelo BC europeu, todo o sistema fica ameaçado. Diante desse quadro, qual o futuro do euro?

Delfim - O euro tem uma importância muito grande: é uma decisão política de estabelecer a paz em um continente com tradição de mil anos de guerra. Seu valor civilizatório é uma coisa extraordinária. E por que a Europa está desse jeito? Porque a Comunidade Econômica Europeia foi vítima de um autoengano, ao estabelecer que nenhum país poderia ter mais do que 3% do PIB de déficit fiscal nem uma dívida interna maior do que 60% do PIB. O próprio mercado e as instituições financeiras, com a conivência dos governos, se enganaram. Quando a agência de rating dizia que o papel grego valia AA, ou quando um agente ajudava o governo grego a mistificar os dados financeiros com truques contábeis, ninguém criticava nada. A Europa tem um problema sério: ela não é uma área monetária ótima, porque suas políticas fiscais são contraditórias. Nem os Estados Unidos são, porque lá os estados têm capacidades de endividamento diferentes. No Brasil, a Lei de Responsabilidade Fiscal foi um instrumento importante para produzir uma área monetária ótima. Mas, na Europa, mesmo os países mais virtuosos não deixaram de fazer alguma patifaria. Agora, porém, certamente eles estão sentados à mesa, olhando uns para os outros e dizendo: vale a pena conservar o euro? Na minha opinião, vai demorar um pouco, mas haverá um aperfeiçoamento institucional e a conta será paga. Novamente, existem o mercado e a urna. Nos próximos 12 ou 14 meses, haverá eleições em 24 países. Não adianta agora chegar para o grego e dizer: “você comeu demais”, simplesmente porque não há como “descomer”. É impossível voltar atrás. O único instrumento para se produzir superávit é o crescimento, mesmo que seja baixo. Não se resolvem essas questões produzindo depressões ou recessões nesses países, mas sim encontrando mecanismos capazes de assegurar a cada um deles um mínimo de crescimento. E também terá que haver perdão de dívidas. Não tem jeito. Levará um pouco de tempo, porque é preciso reforçar o capital dos bancos para que eles possam absorver esses novos prejuízos. Na verdade, prejuízos que nem serão deles, mas sim dos pobres-diabos que acreditaram nas agências de risco e compraram pacotes que escondiam junk bonds vendidos como papéis de primeira linha.

CE - Os Estados Unidos também atravessam graves problemas fiscais. A seu juízo, tal situação representa uma ameaça aos credores deles ou os títulos do Tesouro americano continuam a ser a melhor proteção para os investidores?

Delfim - Esse é um tema que mostra como as agências de risco não valem coisa nenhuma. Quando a Standard & Poors tirou um “A” dos Estados Unidos, houve uma corrida para os papéis americanos. Ou seja, onde é que as pessoas estão procurando defesa? Os Estados Unidos colocam por semana US$ 250 bilhões a US$ 300 bilhões em papéis de 30 dias, um ano, dois, sete, dez, 30 anos. Todos os papéis americanos continuaram a ser colocados, e a taxas de juros menores. Ou seja, quem perdeu credibilidade foram as agências, não os Estados Unidos. E por que o sistema americano não está funcionando? As famílias estão consumindo menos porque estão usando seus recursos para pagar dívidas e não têm certeza se terão emprego. Os empresários têm em caixa US$ 2 trilhões e não investem porque não têm expectativa de que haverá demanda. Os bancos têm US$ 1,5 trilhão de excesso de reservas e não emprestam porque têm dúvidas sobre os outros bancos. Então, o que acontece? A economia vive de expectativas. Como ninguém tem confiança, todos procuram ficar líquidos, e morrem afogados na liquidez. Se vencer a eleição de 2012, Obama tende a conquistar maioria na Câmara e no Senado e, nessas condições, implementar seu programa, certo ou errado. Se for eleito um republicano, na minha opinião, seria uma pequena tragédia, que pode se transformar em uma grande tragédia, pois eles estão em um processo ideológico que é a coisa mais retrógrada do mundo. Mas creio que há uma lógica invisível operando por trás de tudo. As pessoas estão se divertindo um pouco com o Obama, para fazê-lo pagar pelos equívocos que cometeu. Ele fez tudo o que o livro mandava: aumentou a liquidez, deu dinheiro aos estados para obras públicas etc. E por que não deu certo? Porque você pode levar o burro até a fonte, mas não pode obrigá-lo a beber água. Obama criou todas as condições para o sistema funcionar, mas não conseguiu cooptar o setor privado, ao qual dispensou um tratamento muito duro no início do seu governo. E a sociedade rejeitou. Mas os Estados Unidos têm as duas condições necessárias e suficientes para o crescimento econômico: inovação e crédito. Eles vão voltar a crescer mais rapidamente e já ajustados ao mundo novo, dando mais ênfase à energia renovável e liquidando uma parte da sua dependência externa.

CE - O senhor citou as eleições como remédio para corrigir distorções econômicas. Mas é justamente um país sem muita simpatia pelas urnas e até há pouco tempo distante do capitalismo que vem provocando uma revolução na economia mundial. Como decifrar o enigma da China?

Delfim - Não tem enigma. A China na verdade é uma projeção dos Estados Unidos, fruto de um ato político estratégico americano. Quando Mao Tsé-Tung e Stalin se desentenderam e a China se afastou da Rússia, os Estados Unidos aproveitaram o momento para dar à China uma grande chance: “abra zonas especiais que eu levo meu capital e abro o meu mercado para você”. Para que se tenha uma idéia dessa simbiose que se criou entre os dois países, atualmente de 35% a 40% das exportações chinesas são provenientes de empresas americanas instaladas na China. Por que o Congresso americano nunca declarou que a China não é uma economia de mercado? Porque ele seria obrigado a fazer uma tarifa geral equivalente à valorização do yuan. E por que nunca aconteceu? Porque é o próprio sistema financeiro americano que controla o Congresso. Não tem nenhuma teoria conspiratória. É a vida. A China fez um trabalho magnífico, soube aproveitar essa oportunidade, mas já começa a dar sinais daquele pecado dos 30 anos: é claro, evidente, que agora precisa mudar profundamente o eixo da exportação para o mercado interno. É uma condição extremamente difícil. O 12º Plano Quinquenal chinês é de um otimismo enorme e tem hipóteses que são muito pouco prováveis, como a que prevê um grande aumento da produtividade total dos fatores, como alavanca do crescimento. É óbvio que se vive um momento em que a produtividade do capital e o desenvolvimento demográfico estão em queda. Mas eu tenho uma esperança: parece que vão incluir entre os nove membros do grande conselho chinês um sociólogo, um advogado e um economista. Eles nunca mais serão os mesmos.

CE - Hoje, qual o peso do Brasil no grupo dos BRICs? Melhoramos nossa posição relativa?

Delfim - Este é um conceito muito pouco adequado e que nos obriga a comparar situações distintas. Na minha opinião, a comparação que nos ajudou foi no sentido de mostrar a melhora dramática que houve na situação brasileira. É uma pena ver que as pessoas não reconhecem isso. Claro que há pecados, claro que há muito a fazer. Mas também é claro que o governo começa a se dedicar à solução dos problemas fundamentais do país, quando tenta, por exemplo, implantar um programa de equilíbrio fiscal de longo prazo, atacando projetos que estão no Congresso, como os de aposentadoria do setor público e restrição de gastos com pessoal. Há uma percepção de que é preciso construir espaço para aumentar a poupança interna. Os críticos dizem que tudo isso não passa de jogo de cena para forçar o Banco Central a baixar os juros. Claro que o governo deseja isso, pois vai gastar este ano R$ 190 bilhões com essa rubrica. Mas alguém de bom senso pode imaginar que o Brasil precisa de uma taxa de juros real de 8% ao ano? Minha esperança é que a nova política fiscal dê ao BC musculatura para reduzir a taxa real de juros, sem violências, para cerca de 2,5% a 3% nos próximos quatro anos. Muita gente vai ter que ganhar a vida honestamente.

CE - Muito se critica a forte dependência da pauta de exportações brasileira dos produtos básicos. Mas, em um cenário de menor crescimento da economia mundial, considerando que a demanda por commodities agrícolas tende a ser menos afetada, isso pode ser uma vantagem competitiva para o país?

Delfim - Seria uma loucura abandonar os setores agrícola e mineral. Ninguém está propondo isso. O que se está propondo é desenvolver o mercado interno e dar condições para que os setores industrial e de serviços possam também competir no mercado externo. Não há contradição nenhuma em aproveitar esse boom que ocorre no mundo. Nós já esquecemos que o Brasil quebrou duas vezes, em 1998 e 2002. Hoje, temos US$ 350 bilhões de reservas, que não foram produzidas por nenhuma ação brasileira, mas sim pela expansão do mundo, que soubemos aproveitar muito bem. De país devedor, passamos a país credor. Mas já competimos muito melhor do que competimos hoje. Quando se olham as condições que envolvem os trabalhadores e empresários brasileiros, vemos uma situação complicada: a maior carga tributária bruta entre países com o nosso nível de renda, a maior taxa de juros e a moeda mais valorizada do mundo. Quando alguém apela para modelos de equilíbrio geral e diz que há distorções, eu considero uma maluquice total, porque a teoria de equilíbrio geral não tem nada a ver com o mundo. É uma construção muito elegante para enganar trouxas e ótima para dar aulas, pois dá ao professor um poder enorme sobre o aluno. É grave tirar conclusões normativas de modelos teóricos.

CE - Os países emergentes têm conseguido conciliar taxas elevadas de crescimento com estabilidade econômica. Alguns deles, porém, entre os quais o Brasil, voltam a enfrentar problemas relacionados ao aumento da inflação. Como promover o crescimento sem perder o controle da inflação?

Delfim - É preciso ter uma política fiscal de longo prazo crível e exequível, e aumentar a poupança pública, que é a única coisa que pode ser feita com rapidez. Para o Brasil crescer como precisa, na faixa de 4,5% a 5% ao ano, é evidente que necessita de uma taxa de poupança interna em torno de 22%, deixando para a poupança externa algo como 1,5%. Acima de tudo, é preciso convencer os brasileiros de que existe um trade off entre o presente e o futuro: mais distribuição hoje significa menos crescimento para o seu filho e um desastre para o seu neto. Quanto à inflação, considerando-se que é um problema mundial e a dependência do país com relação às importações, não há nenhuma razão para imaginar que o Brasil ficaria dentro da meta. Até porque, no caso brasileiro, existem ainda alguns complicadores. No setor de serviços, por exemplo, mais do que excesso de demanda, observa-se um descompasso entre as estruturas de demanda e oferta. Isso não se corrige com taxa de juros, mas sim com uma política de educação, de preparação de mão de obra.

CE - Qual sua avaliação da Era PT, em particular desses primeiros meses do governo Dilma?

Delfim - A eleição do Lula foi a consolidação da democracia no Brasil. Na primeira eleição, quando eu disse que votaria nele, causei uma amolação enorme entre a minha gente. Porque era preciso esse teste. O Lula se revelou um grande presidente. O Fernando Henrique também. E até o Collor teve uma contribuição importante, com a questão da abertura do mercado. Não se deve levar em conta o que é dito nos processos eleitorais, essa questão toda de herança maldita etc. O que importa é que o Brasil vem melhorando durante todo esse tempo. E melhorou ainda mais com o Lula, porque ele atendeu a um aspecto importante da Constituição Federal de 1988: o aumento das oportunidades para as pessoas, que está ligado à igualdade do ponto de partida que mencionei antes. Ele incorporou essa gente, fez um trabalho muito bom, aproveitou o que o mundo oferecia e ainda recebeu no final do mandato o presente do pré-sal. Já a Dilma eu vejo como uma tecnocrata que lê os mesmos livros que nós, que estuda os dossiês, que não se deixa enganar por firulas, por esses modelos que dizem que há distorções. Claro que há distorções, mas a maior delas está na cabeça dos que pensam que existe um modelo de desenvolvimento e que eles são portadores desse modelo. Dilma será uma continuidade muito importante para o país.

CONCLUSÕES - Para aceitar tanto otimismo de nosso idoso ex-ministro da Fazenda, com tantas críticas à ditadura dos Banqueiros que está em marcha sob o nome de Nova Ordem Mundial, teremos que aceitar a hipótese de que os Kapetas sejam expulsos deste mundo e a racionalidade humana se aproprie do comando do Planeta Terra. Será "O Fim do Mundo" para aqueles que pregam o catastrofismo, anunciam a invasão pelos Extras, e/ou propõem uma saída espiritista-ufo-nazista de matança de seis bilhões e outras barbaridades semelhantes que estão circulando pelos noticiários...

Eu concordo com ele neste ponto: a humanidade está em uma linha de melhora em busca de mais democracia e qualidade de vida e deve continuar assim. Há alguns reparos a fazer às informações prestadas pelo nosso ilustre ex-ministro.

Quando ele diz ao começo que "Quem não estiver confuso (com a situação do mundo) está mal informado"... Parece-me que ele desconhece a História das idéias sociais no mundo: das épocas primitivas herdamos um domínio obscuro que uns chamam de demônios e outros chamam de nosso inconsciente coletivo. Desse obscurantismo se refinou uma estrutura escravagista cujo modelo sócio-econômico é o sistema feudal em que um poder superior torna vassalos os demais até a base da pirâmide que é feita de servos da gleba (são escravos do senhor que tiver autoridade sobre aquele pedaço de terra). Hoje os banqueiros são o grupo de poder feudal que escraviza a tudo.

A revolução que aconteceu desde a Idade Média contra esse feudalismo foi a fuga dos servos para os burgos, onde descobriram que cada produto vale muito mais para uso do que custa para ser feito e com isso criaram a riqueza, mediante o sistema de livre negociação; entretanto, os feudalistas se intrometeram e corromperam o sistema que deveria evoluir no sentido entendido por Delfim Neto, e conseguiram reaver o poder que estavam perdendo. Essa é a guerra que estamos enfrentando.

Minhas propostas podem ser lidas no blog, nos livros do site e nos resumos ramacheng:

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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

NOBEL DE ECONOMIA 2011 - Rumo à Nova Ordem Mundial

Transcrevo os dados dos Nobeliados de economia de 2011, conforme Notícia "Terra" de hoje:

Os americanos Christopher A. Sims e Thomas J. Sargent são os vencedores do Prêmio Nobel de Economia 2011, informou nesta segunda-feira a Academia Real das Ciências da Suécia. Os dois economistas foram premiados por "sua pesquisa empírica sobre as causas e os efeitos na macroeconomia", afirmou o comitê. Os laureados "desenvolveram métodos para (responder) as numerosas perguntas sobre as relações de causalidade entre a política econômica e diferentes variáveis macroeconômicas como o PIB, a inflação, o emprego e os investidores", completou um comunicado.

Sargent, nascido em 1943 em Pasadena, trabalha na Universidade de Nova York. Sims nasceu em 1942 em Washington e realiza seus estudos na Universidade de Princeton. Sims, que foi contatado telefonicamente pela Academia sueca, afirmou que os "métodos" desenvolvidos por ele e seu colega Sargent "são essenciais para encontrar a saída para esta confusão", em referência à crise econômica.

Christopher Albert "Chris" Sims (nascido em 21 de outubro de 1942) é um econometrista e macroeconomista . Ele é atualmente Professor na cadeira “Harold B. Helms of Economics and Banking” na Universidade de Princeton .

Sims ganhou seu Ph.D. em Economia em 1968 na Universidade de Harvard . Ele ocupou cargos de ensino em Harvard, Universidade de Minnesota , Universidade de Yale e, desde 1999, em Princeton. Sims é membro da Academia Nacional de Ciências (desde 1989) e da Academia Americana de Artes e Ciências (desde 1988). Em 1995, ele foi o presidente da Sociedade Econométrica . Ele será o presidente eleito da Associação Americana de Economia em 2011 e, em seguida, o Presidente da Associação Americana de Economia em 2012.

Sims publicou numerosos documentos importantes em suas áreas de pesquisa: econometria e teoria e política macroeconômica. Entre outras coisas, ele foi um dos principais promotores do uso de auto-regressão vetorial em macroeconomia empírica.

Ele também ajudou a desenvolver a teoria fiscal do nível de preços e a teoria da desatenção racional.

Ele foi condecorado com a Thompson Reuters Prêmio de Economia em 2008

John Thomas "Tom" Sargent (nascido em 19 de julho de 1943) é um economista americano co-receptor (juntamente com Christopher A. Sims ) do Memorial do Prêmio Nobel em Ciências Econômicas , com especialização nas áreas de macroeconomia, economia monetária e de séries temporais em econometria . Ele é conhecido como "um dos líderes de expectativas racionais de revolução" e autor de inúmeros escritos pioneiros. Trabalhando com Neil Wallace , Sargent desenvolveu a base para caracterização do caminho do equilíbrio com estabilidade de expectativas racionais . Ele é considerado um dos mais influentes economistas do mundo.

Sargent obteve seu bacharelado da Universidade da Califórnia, Berkeley , em 1964, recebendo a Medalha Universitária como o Scholar mais ilustre em Classe de 1964, e seu Ph.D. de Harvard em 1968. Ele ocupou cargos de professor na Universidade da Pensilvânia (1970-1971), Universidade de Minnesota (1971-1987), University of Chicago (1991-1998), Stanford University (1998-2002), e atualmente é o Professor de Economia e Negócios em Berkley em “New York University” . Na primavera de 2009, ele serviu como professor visitante na Universidade de Princeton . Ele é membro da Sociedade Econométrica desde 1976. Em 1983, Sargent foi eleito membro da Academia Americana de Artes e Ciências . Ele tem sido um membro sênior da Hoover Institution na Universidade de Stanford desde 1987.

Sargent em 2011 foi agraciado com o Prêmio NAS para Revisão Científica da Academia Nacional de Ciências.

COMENTÁRIO – Tenho que fazer observar que a pesquisa de ambos é “empírica”, ou seja, com base no que está acontecendo na Macroeconomia. Portanto, de modo algum criaram tese de fundo comum às ciências humanas em geral. E isto significa que receberam seu Prêmio como pago por um trabalho de cobertura teórica para a dominação feudal banqueira no mundo, a caminho da “Nova Ordem Mundial” comandada pela Grande Finança da City.

Mais dados para entender este Comentário, vejam no BLOG e em:

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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

ARROCHO DAS APOSENTADORIAS

GREVE DOS APOSENTADOS É POSSÍVEL?
RESUMO - Está na moda fazer greve. Que tal os aposentados, que estão sendo arrochados como ninguém, acharem uma forma de "greve" que possa ir pra internet e soar no mundo para acbar com esse arrocho-bullying contra todos nós?
De fato é um processo de bullying contra todos nós. Arrochar numa rosca sem fim os valores das aposentadorias é um método de agressão com uso do poder do mais forte contra pessoas que não possuem forma de defender-se e que irão acumulando a agressão de modo silencioso até morrer!
Esse arrocho é contra todos! Quem não está aposentado nem aposentando, vai um dia requerer aposentadoria, ou vai ter que custear as deficiências progressivas de valores de algum aposentado... Isso atinge a todos nós.
Portanto, é de interesse geral estudar alguma forma de reação que o aposentado pode fazer e que traga suficiente transtorno à sociedade para que se movam e achem uma forma justa de eliminar esse bullying contra aposentados. Já há uma luta para combater os abusos contra idoso, porém esse abuso não se inclui ali.
Há um projeto de lei tramitando no Senado para isentar os aposentados de Imposto de Renda, como compensação das perdas que vêm sofrendo nos valores de sua renda de aposentadorias públicas ou de previdência privada. Esta é a notícia do Senado:

Os aposentados e pensionistas pelo Regime Geral de Previdência Social poderão deixar de pagar o Imposto de Renda a partir do mês em que completarem 60 anos. A proposta, aprovada nesta quarta-feira (17) pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS), será agora analisada pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), em decisão terminativa e, se aprovada, encaminhada para votação na Câmara dos Deputados.

O projeto de lei (PLS 76/11) altera a legislação do Imposto de Renda (Lei 7.713/88) para prever o benefício. Segundo a autora da proposta, senadora Ana Amélia (PP-RS), o objetivo é "contribuir para minimizar a perda dos aposentados e pensionistas, que têm visto seus rendimentos sendo achatados ano a ano".

COMENTAMOS: Mas, mesmo com essa isenção, nada se fala em devolver o valor aquisitivo das aposentadorias ao que era no dia em que o benefício foi concedido, o que seria apenas uma questão de justiça.

Assim, após consultar alguns colegas aposentados de diversas categorias, recebi alguma sugestões para fazer campanhas, passeatas, ou deixar de fazer algumas coisas que os aposentados ainda fazem... Vejamos as sugestões:

1. Campanha pela Internet para exigir a correção dos benefícios com efeito retroativo.

2. Campanha de apoio à proposta da Isenção acima, com adesões pela Internet, mais passeatas, acrescentando na campanha, além da devolução dos impostos de renda pagos desde a data dos 60 anos, exigir prosseguimento da campanha por um Projeto de Lei que assegure a reposição real das perdas.

3. Fazer a Greve do Voto: os aposentados irão às urnas registrando voto nulo e passando em outra urna dos grevistas assinalando o ato como protesto contra as perdas nas aposentadorias.

4. Outras abstenções - não tomar cerveja uma semana por mês... jejum de três dias, em protesto... etc.

5. Mais forte do que isso, é a proposta de suspender todos os pagamentos de contas por uma semana no mês - água, luz, telefone, carnê, cartão de crédito, etc.

QUE ACHAM NOSSOS AMIGOS?

Pela minha parte, já estou fazendo a inclusão de propostas que resolvem as questões econômicas, tanto nos meus livros do site, quanto no BLOG e nos resumos ramacheng no shvoong. Acredito que, se não fizerem o lançamento de alguma campanha mais forte, bastaria que nossos amigos divulgassem o que já temos publicado - Imposto Zero, Domestique o supertiranossauro da receita, constituição e reformas de base, etc. Eu acho boa a fórmula grega: Devo? Sim! Mas não pago, porque os donos do ouro emprestaram sem depois deixar produzir e agora querem que paguemos após impedir que ganhemos!

CONCLUIREMOS - Para que a Economia gire há que deixar produzir e ganhar para depois consumir e pagar. Sempre a produção vale mais do que custou e há sempre enriquecimento se deixarmos girar com VERDADE, Liberdade para prosperar honestamente, respeito ao mérito e à propriedade privada conseguidos honestamente. O aposentado só terá que ter feito sua aplicação nesse giro e essa aplicação ser respeitada.

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