sexta-feira, 4 de novembro de 2016

ELEIÇÃO NA AMERICA

PREVISÕES
SE PERGUNTAR AO HORÓSCOPO CHINÊS... 2017 É ANO DO GALO.... E SUCEDE AO ANO DO MACACO (2016)... COM TODAS ESSAS MACAQUICES - DILMA E LULA, INVASÃO DE FUGITIVOS NA EUROPA, JORNALISMO VENDIDO EM TODA PARTE...
Além disso nos States há muito que duas eleições vencem republicanos e seguem-se duas com democratas... 

Esta é a trumbada Hillariante dos americanos hoje....
“TRUMP" venceu "Hillary" em uma corrida de tubarões organizada pela Nova Southeastern University (NSU), de Fort Lauderdale (Flórida), a fim de prever quem vencerá as eleições presidenciais nos Estados Unidos.

Se for confirmada a tese de que o resultado da corrida destes tubarões-mako (Isurus oxyrinchus) vai se refletir nas eleições de 8 de novembro, o vencedor será o candidato republicano à Casa Branca, Donald Trump. Dessa forma, a democrata Hillary Clinton não verá cumprido seu sonho de ser a primeira mulher a ocupar a presidência dos EUA.

As normas desta peculiar corrida organizada pela NSU estabeleciam que o vencedor seria o tubarão que percorresse mais milhas.

"Trump" fez 652,44 (1.048 quilômetros) e "Hillary", 510,07 (821 quilômetros), segundo registraram os dispositivos colocados em ambos tubarões para rastreá-los por satélite.

"Trump" e "Hillary" receberam seus nomes por sorteio e estão nadando em águas do Oceano Atlântico, perto dos estado de Connecticut e Nova York. Ambos tubarões fazem parte das pesquisas realizadas pelo Halmos College of Natural Sciences and Oceanography da NSU sobre as migrações desses animais e o meio marinho em geral.

No mundo dos humanos as pesquisas mostram um empate técnico ou uma leve vantagem para Hillary nesta reta final da corrida presidencial que termina na próxima terça-feira.

"Não estou 100% convencido de que os tubarões possam prever uma corrida humana rumo à Casa Branca", disse hoje com bom humor o professor Mahmood Shivji em comunicado. "É uma maneira de encarar uma eleição que foi a mais polêmica de nossa geração e torná-la divertida, enquanto aproveitamos o momento para mostrar ao público as pesquisas que fazemos", declarou à Agência Efe Brandon Hensler, diretor-executivo de Relações Públicas e Marketing da NSU.


O polvo "Paul", que por meio de seu comportamento em um aquário "previu" que a Espanha venceria a Copa do Mundo de 2010, e as sucessivas marmotas "Phil", que ajudam a prever a cada ano quanto durará o inverno nos Estados Unidos, inspiraram a NSU a organizar sua primeira corrida de tubarões.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

TRUMP E O SONHO AMERICANO

O PERIGO HILLARY E O GÊNIO MALIGNO DE JOHN PODESTA
por Elton Flaubert (31/10/2016)
Hillary é uma gângster manipuladora, obcecada por controle, poder e dinheiro.
COMENTANDO
FINALMENTE LEMOS UM COMENTÁRIO HONESTO SOBRE A ELEIÇÃO AMERICANA.
É pena que o autor não percebeu que TRUMP é a volta ao sonho americano de escapar da escravocracia feudal, limitar o estado impostor, e ajudar todos os povos a fazer a globalização em um condomínio DE SERES RESPONSÁVEIS POR SI E PELO CONDOMINIO.
Nas previsões lembremos o Horóscopo chinês – 2017 é o ano do Galo... Dois galos aliados? Donald tio Patinhas e Tio Wladô Putins...
Esperemos pra ver.

1.TRUMP - Erguido a inimigo número um da humanidade pela grande imprensa mundial, Donald Trump conquistou esse posto seja por sua personalidade extravagante e discurso boquirroto, seja por representar uma reação popular (não necessariamente no sentido censitário) contra o establishment político, econômico, intelectual e midiático do Ocidente, seja por representar uma resposta aos valores liberais que, em última instância, se tiraniza a toda sociedade enquanto poder integrado. Em fevereiro, expliquei aqui na Amálgama, como ele construiu um personagem com três intenções: a)restaurar os mitos de fundação do país; b)substituir o apelo conservador pelo apelo nacional; e c)apresentar-se como uma personalidade forte, capaz de reunir o povo e falar sua língua contra a iniquidade das elites. Isto num momento de crescente revolta contra as elites do poder integrado.

A figura de Trump não é conservadora, mas antes nacionalista com um forte apelo nostálgico às proteções sacrificiais, remetendo ao tribalismo, ao localismo e ao nativismo. Trump defende, por exemplo, que pessoas transgêneras utilizem o banheiro que acharem adequado. Em 30 de outubro, Trump abriu seu comício no Colorado com uma bandeira do movimento gay e depois garantiu seu apoio a “ampliação dos direitos civis”.

Muitas coisas já foram ditas sobre The Donald e os perigos do que representa seu personagem. No entanto, sua adversária democrata, Hillary Clinton, oferece ainda mais perigos para o país e ao mundo do que ele. Ela faz parte do contexto social e intelectual da esquerda americana que reformou o partido democrata entre o século XIX e XX. O liberalismo moderno americano parte de uma concepção ampla de liberdade, onde o Estado deve assegurar as garantias de que os indivíduos sejam livres e iguais para exercer suas potencialidades, produzindo valores e usando um poder integrado a toda a sociedade. A maior parte do establishment americano prega os valores liberais e um poder integrado que discipline e produza esses valores. E, contra Trump, conseguiu aliar nacos do establishment republicano que estão próximos do liberalismo econômico clássico.

Hillary Clinton representa os interesses desse consórcio e as políticas que consolidam o seu poder integrado, criando – em nome da liberdade – a pior das tiranias. A quintessência desse agrupamento, digno da máfia, aparece claramente nos e-mails revelados pelo Wikileaks. Embora Assange seja um escroque a serviço da Rússia e um perigo para a segurança americana, não se pode negar a realidade do que está sendo apresentado. Como nas escutas de Lula, alegar ilegalidade no que foi apresentado não esconde a realidade dos fatos. O que os e-mails nos mostram é a figura de uma gângster manipuladora, obcecada por controle, poder e dinheiro, que age em nome de um consórcio e, para isto, planeja dissolver soberanias, cultura cristã e qualquer lastro com a realidade.

Antes do Wikileaks, a imagem de tecnocrata honesta de Hillary já tinha sido atingida por sua má atuação no governo Obama. Para piorar, em 2015, quando os republicanos abriram um inquérito no Congresso para investigar o atentado em Benghazi na Líbia, descobriu-se que Hillary (já fora do cargo) usava um servidor particular para enviar e-mails no exercício do cargo. Usar um servidor particular é imperícia, por ser facilmente hackeado, colocando em perigo a segurança nacional, como pode ser também indício de atividades criminosas no cargo, pois facilita a exclusão das provas. De nada adiantaram os encontros entre Bill Clinton e Loretta Lynch, ministra da Justiça, para encerrar no nascedouro a investigação conduzida pelo FBI, pois o assunto veio a público antes pelo jornal Washington Post.

Apesar de ter considerado negligência, o diretor do FBI, James Comey, tinha encerrado o caso, mas teve que reabrir as investigações quando novos e-mails de Hillary apareceram noutra investigação: a do escândalo sexual do democrata de Nova York, Anthony Weiner, que era casado com o braço-direito de Hillary, Huma Abedin.

Entretanto, se o FBI tinha encerrado as investigações, o Wikileaks tinha nos dado a certeza que Hillary usava um servidor privado não por negligência, mas para praticar crimes. Além disso, ficamos sabendo também que ela apagou milhares de e-mails comprometedores e que o presidente Obama sabia disso. Tendo ciência desses fatos, houve grande revolta entre os agentes do FBI quando a investigação foi abortada por Comey.

Hillary Clinton utilizava das atribuições do cargo para fazer lobby, acertar negociatas com governos estrangeiros, ditar os passos da imprensa democrata e preparar (ou financiar) sua campanha presidencial. Aqui e aqui, ela confessa que recebeu financiamento da Arábia Saudita e estava ciente de seus interesses mesmo sabendo que este governo e o do Catar patrocinavam o ISIS.

Ela se utilizava da Fundação Clinton para traficar influência. Recebendo dinheiro para projetos inexistentes ou não cumpridos em sua integridade (mesmo ajudas humanitárias para o Haiti), Hillary usava da influência do seu cargo e de sua importância no partido para realizar o desejo dos doadores. A partir desse sistema, criava-se um consórcio, onde Hillary era apenas a representação desses interesses. De extensão internacional, um dos e-mails mostra que a Fundação Clinton recebeu 12 milhões de dólares do Rei do Marrocos para defender seus interesses enquanto ela era Secretária de Estado. Noutro e-mail, seu chefe de campanha, John Podesta, confessa que Hillary defenderá sempre o desejo dos seus doadores.

As opiniões, as chacotas, os desejos, a arrogância de Hillary Clinton e de seu staff nos e-mails traçam um perfil de uma mulher manipuladora, sedenta por poder, que trabalha por ganância, mas também convicção (as duas coisas sempre andam juntas como vimos no petismo), para o establishment liberal e por um poder integrado que opera uma mudança civilizacional – a utopia de uma “liberdade impositiva” promovida por uma governança que produz esses valores.

Para o banco Goldman Sachs, Hillary fez três discursos remunerados. Neles, tratou essencialmente de geopolítica. Admitiu uma estratégia agressiva (através da OTAN) contra a Rússia comandada por Putin e defendeu uma zona de exclusão aérea na Síria. No banco, ela admitiu que essa zona traria muitas baixas civis e subestimou o poderio russo. Hillary é uma estudiosa de geopolítica e conhece bem cada região estratégica do globo. Ao mesmo tempo, ela tem o temperamento arrogante de quem acredita controlar os fatos. A junção desses dois fatores sempre trouxe desastres. Mais do que um perfil hawkish, Hillary promete ser prepotente e controladora na política externa. Subestima a aliança russo-chinesa, superestima o poderio bélico americano e, sobretudo, acredita puerilmente que ameaças no quintal russo irão dissuadir Putin. Ela também desconhece profundamente as motivações ideológicas/espirituais/nacionais das ações de Putin.

Essas revelações alarmaram mesmo a esquerda americana e europeia. No Guardian, Spencer Ackermann mostrou por qual razão o plano da democrata para a Síria pode provocar a Terceira Guerra Mundial. Uma guerra contra a Rússia nunca é uma boa coisa (Hitler e Napoleão que o digam), ainda mais nas atuais condições. Enquanto isso, Putin se prepara para guerra, estendendo sua influência geopolítica e contando com a prepotência e ignorância das elites ocidentais em reconhecer o estado das coisas. Com Trump, as relações entre Rússia e Estados Unidos teriam uma melhora momentânea e, mesmo que isso proporcionasse riscos para parceiros americanos, significaria também uma chance de melhores condições bélicas e geopolíticas em médio prazo.

Hillary e seu staff também demonstraram desaprovação quanto à Israel. O jornalista Sid Blumenthal, pai de Max Blumenthal (um reconhecido antissemita), enviou para Hillary alguns artigos falando do lobby judeu na imprensa, criticando Netanyahu e contando algumas teorias conspiratórias. Hillary enviou-os para um de seus assessores para assuntos internacionais, Jake Sullivan, chamando-os de fascinante.

Nos discursos para Wall Street, Hillary defendeu uma política de irrestrita liberdade econômica e de fronteiras. Um mundo livre de nações, tradições, culturas religiosas, soberanias, mas integrado pelo dinheiro, pelo espírito burguês, por uma cultura e religião biônica, uma moral laica civil. Um mundo livre sustentando por um poder integrado que produza esses valores e criminalize os outros sem contestação. Tudo isto em nome da liberdade, claro. Uma junção de liberdade econômica e social, desejo expresso das elites ocidentais que Hillary se encarrega de encarnar e de realizar; a pior das tiranias ao qual me referia no artigo que indiquei no primeiro parágrafo.

Outra situação onde Hillary atuou como lobista dos interesses desse consórcio, foi na Albânia. George Soros, um bilionário húngaro fundador da Open Society, que patrocina as causas da esquerda liberal e é o maior doador pessoal dos Clinton, pediu para que ela intervisse na política interna da Albânia junto à comunidade internacional.

Coerente com qualquer defesa do aborto, Hillary Clinton deseja que a mulher possa matar o filho a qualquer momento da gravidez. A Planned Parenthood, que patrocina sua campanha, seria uma grande beneficiária, pois lucraria ainda mais com a venda de órgãos fetais e tornaria legal os abortos que já realiza fora do tempo previsto.

Os e-mails revelados pela Wikileaks mostram também como o grosso da imprensa americana (CNN, NYT, NBC, ABC, CBS, Washington Post etc.) age como membro desse consórcio. Donna Brazile (nome é destino), que era analista da CNN e membro do Partido Democrata, conseguiu as perguntas que seriam feitas num dos debates com Donald Trump e entregou com antecedência para a campanha de Hillary. Outros e-mails mostram como esta campanha entregava para imprensa peças difamando Trump e instruções estratégicas de como ele deveria ser atacado. Como veremos, 65 jornalistas participaram de uma reunião com John Podesta para acertar essas questões e manifestar apoio.

Glenn Thrusch, escritor do site Politico, enviava seus artigos com antecedência para Podesta aprovar. E a campanha de Hillary também tinha influência sobre o editor do New York Times e no que ele escolhia publicar. Mesmo uma entrevista dada para Chris Hayes da NBC foi ensaiada palavra por palavra com antecedência. A imprensa também foi utilizada para atacar Bernie Sanders durante as primárias. O noticiário é tão enviesado nos grandes canais que apenas 6% da população acredita na imprensa.

2.HILLARY CLINTON - No entanto, se Hillary é a representação das elites americanas (e ocidentais) na implementação de um poder integrado que tiraniza seus valores, há uma mente maligna e estrategista por trás dessa personalidade ambiciosa e prepotente que pretende presidir os Estados Unidos.
Essa mente é John Podesta.
Advogado com origem em Chicago, Podesta viu sua carreira de lobista decolar em 1988 quando fundou uma empresa com o irmão para esta finalidade. Desde cedo ligado aos democratas (trabalhou na campanha de McGovern em 1972), Podesta foi chefe de equipe do governo Bill Clinton. Chefe da campanha de Hillary Clinton, ele se viu no centro da crise quando seus e-mails foram hackeados e divulgados pelo Wikileaks.

Mais do que um chefe de campanha, Podesta tem uma ampla visão estratégica para a transformação social e cultural que almejam o consórcio das elites. Ele identifica dois objetivos: transformar as soberanias nacionais e transferir o centro do poder para entidades transnacionais; transformar a religião por dentro, conferindo-lhe novos valores e grupos políticos bem estabelecidos para ditar essa transformação que se aproxime de uma religião universal e neutra.

Para isto, ele estabelece três táticas: controle da informação através da imprensa; vilanizar conservadores, religiosos e nativistas; e infiltração na Igreja Católica. Como chefe da campanha de Hillary, ele confessa nos e-mails que exerce essas três táticas.

Antes da campanha aquecer, Podesta se encontrou com 65 jornalistas para acertar as operações. Nos e-mails, ele confessou também que exerce sua influência em pesquisas eleitorais. Num dos jantares com Haim Saban, um dos proprietários da Univision, ele acertou a identidade que a emissora dará a Trump como um racista perigoso aos hispânicos. Outro e-mail mostra também o empenho do Huffington Post em fazer o que for preciso para elegê-la.

A terceira tática era ainda mais sórdida: infiltrar-se na Igreja Católica para criar uma “Primavera Católica”. Podesta associa toda tradicional fé católica e seus rituais a uma “ditadura medieval”. Seria preciso criar uma “primavera católica”, infiltrando-se na Igreja para realizar uma revolução doutrinal que mudasse os valores cristãos. De tal modo que o catolicismo se tornasse uma espécie de religião desprovida de essência e regulamentada por lobbys políticos. Ou seja, uma religião sem Cristo e meramente formal que permitisse e defendesse os valores liberais do poder integrado sem entraves. A “Primavera Católica” seria responsável por tornar o catolicismo numa religião que defenda o casamento gay, o aborto, a igualdade de gênero e todo ideário cultural dos progressistas.

Num dos e-mails, Sandy Newman, outro braço-direito de Hillary e fundador da Voices for Progress, admite que desconhece o catolicismo e, por isto, seria incapaz de dirigir essa infiltração. No entanto, Podesta afirma que já conta com duas organizações com esta finalidade: a Catholics in Alliance for the Common Good e a Catholics United. A primeira foi fundada por Tom Perielle em 2005 e conta com Fred Rotondaro (ligado a John Podesta) no seu conselho. Um dos seus objetivos é promover a igualdade de gênero e a ordenação sacerdotal das mulheres. Podesta se gaba também de ser criador de grupos de pressão política em todo o país.
Nos e-mails também se verifica o desprezo por católicos. John Halpin, do Center for American Progress, goza da fé católica com John Podesta, dizendo que todo aquele “papo tomista”, “sistemático” e “retrógrado” serve para parecer sofisticado, mas que “ninguém entende de que diabos estão falando”.

Portanto, se é verdade que Trump é um pastiche entre a figura do bufão sincero e popular e a figura autocrata que domina o espetáculo, Hillary é ainda pior e mais perigosa. Ela representa o consórcio das elites extremamente iníquas, que pretendem estabelecer cada vez mais um poder integrado com seus valores liberais que unem o materialismo e a desconexão da realidade em todas suas dimensões. Se isso já não bastasse, Hillary – com seu temperamento controlador e arrogante – pode ocasionar uma guerra mundial com as crescentes hostilidades entre essa elite ocidente e a aliança russo-chinesa.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

LIVRO - O CETICISMO POLÍTICO DE IVES GANDRA MARTINS

BLOG /  RODRIGO CONSTANTINO
Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

“UMA BREVE TEORIA DO PODER”: O CETICISMO POLÍTICO DE IVES GANDRA MARTINS

1 de novembro de 2016 - Por Lucas Berlanza, em Sentinela Lacerdista

Ives Gandra Martins, jurista, advogado, professor e escritor brasileiro, é uma figura que dispensa maiores apresentações. Apenas por ser quem é, seu livro Uma breve teoria do poder, que acaba de ser relançado pela valente editora Resistência Cultural, em uma terceira edição de belíssimo acabamento, revista, ampliada e atualizada, já seria automaticamente recomendável. Constato, após a leitura, que a qualidade prometida pelo nome do autor está entregue.

Ao tecer comentários sobre a obra, jamais, em minha pequenez, eu poderia me substituir, diga-se de passagem, aos textos introdutórios, anexados ao conteúdo, redigidos por figuras do calibre de Ney Prado, Antônio Paim e Ruy Altenfelder. Ainda assim, ainda que algo acanhado pela grandeza dos nomes, permito-me a ousadia. Em contraposição a essa ousadia, o autor acredita que seu trabalho tem uma pretensão modesta. Ele já o principia afastando de sua “breve teoria”, tal como ela já é apresentada no título, qualquer adjetivação convencional – seja política, econômica, histórica ou jurídica. “É apenas uma teoria sobre a natureza do homem, no exercício do poder sobre os outros, quando assume governos”, o que seria, a seu ver, a restrição fundamental de seu escopo temático, estando ele inclusive não muito à vontade com a suposta abrangência da própria palavra “teoria” que selecionou, na ausência de outra melhor.

Minha dificuldade é em compreender sob que ponto de vista isso pareceria pouca coisa. O professor Ives Gandra está atacando o ponto fulcral: a real dimensão do humano, sem conferir credibilidade a abstrações por definição intangíveis, no trato com a questão do poder. O livro tem uma pretensão analítica, desde já digo que muito bem realizada, maior do que a que confessa, e das observações que destrincha podemos deduzir consequências práticas, úteis às nossas presentes reflexões sociais e políticas.

Essencialmente, Ives Gandra é cético em relação às grandezas morais do homem e do poder. A busca pela sua posse e exercício não seria, em caráter geral, consequência de anseios transformadores motivados por nobres virtudes, ou disposições naturais para servir; conquanto consinta em que existem, como exceções, os nobres estadistas (entre os quais ele pontua Churchill e o presidente brasileiro Campos Salles), em geral os homens querem o poder em uma sanha de ambição pessoal originária “do instinto de sobrevivência”. O autor compara o homem primitivo aos animais, que disputam a liderança para se manterem vivos. Entre as primeiras tribos, o objetivo seria o mesmo: buscar o comando para ter maiores chances pessoais de sobrevivência, muito embora, justamente por isso, ainda que totalmente em segundo plano, esse anseio “egoísta” o levasse a aumentar, pelo próprio talento, as chances de sobrevivência da coletividade.

“Desde os tempos primitivos, o homem deseja o poder por um instinto de sobrevivência e de comando, em que o servir é apenas um efeito colateral – mas não necessário – e que o próprio exercício do poder esconde uma luta pela sobrevivência, a qualquer custo, em patamares inimagináveis, em face das ambições dos que o procuram”. A partir dessa premissa, Ives Gandra faz uma viagem, ancorada em extensa e apurada bibliografia e reveladora de um vastíssimo conhecimento em História, por diferentes épocas da humanidade – com direito a uma reconstrução curiosíssima das principais guerras e conflitos em geral da Antiguidade -, pelo desenvolvimento da questão do poder ao longo de todos os tempos do Homo sapiens sapiens. Sua conclusão é que esse princípio não se modificou de maneira substancial, e que variantes dos mesmos anseios e dos mesmos erros ainda grassam nas diversas sociedades, quer na Babilônia Antiga, quer na Roma dos césares, quer na era de Napoleão, quer no mundo dos bolivarianos, dos populistas latino-americanos e dos extremistas islâmicos de hoje em dia.

Essa visão que pode soar pessimista e demasiado “pé no chão” não exclui a convicção, a nosso ver profundamente meritória e necessária, na existência de um Direito Natural. Gandra acredita, como eu mesmo, que existem direitos que “a convivência humana pode criar e adequar, de acordo com seus interesses, desejos e ideais, conformando a ordem jurídica de seu povo e de sua comunidade”, mas que há, ao mesmo tempo, aqueles outros que o direito positivo “apenas reconhece”, tais como “o direito à vida, à dignidade, à privacidade, à não tortura”. A partir do próprio famigerado e antiquíssimo Código de Hamurabi, Ives Gandra enxerga que os códigos legais, em todos os tempos, reconheceram, a despeito de seus desvios e defeitos, a existência de direitos naturais dos seres humanos. Apenas reconhecer essa prerrogativa moral não o torna cego ao fato de que existe uma “indesejável tendência humana de o mais forte terminar por conquistar o poder, dentro das leis da sociedade em que vive, principalmente nos regimes democráticos, ou fora delas, desde que tenha força para rompê-las, criando seu próprio espaço jurídico para justificar o poder”.

Entre ditaduras, democracias e semidemocracias, algumas das quais pormenorizadas em suas características com brilhantismo na obra, Ives Gandra enxerga e diagnostica sempre o uso de diferentes armas – o dinheiro, a demagogia, o que seja – para que os que buscam e atingem o poder possam mantê-lo e ampliá-lo, tal como o líder fazia nas tribos primitivas. Destacando, por exemplo, o grave problema da destinação dos recursos do orçamento para sustentar burocratas confortavelmente instalados na máquina pública e municiar “amigos do rei” – num raciocínio que grita muito aos dilemas do Brasil de hoje -, Ives Gandra mostra que o corpo do poder, mesmo com a presença de códices legais, é constantemente manipulado para sustentar os privilégios do grupo que trabalha por instalar-se nele.

IVES-GANDRA, Admitindo, a partir do estudo do poder e de suas ferramentas, o quão pequenos nós somos, Ives Gandra não avança em dizer que o poder deve ser abolido, que deve ser eliminado. É aqui que ele recorre a uma referência primordial em sua obra, Montesquieu (além de Confúcio, o sábio chinês, também fartamente mencionado), que julgava, como ele, que o homem não é confiável no exercício do poder, e que as leis não são garantias absolutas contra isso, ainda mais porque o poder pode ser capaz de modificá-las ou desprezá-las; mas lutar pela solidez de uma lei que reparta as atribuições dos poderes e os coloque em harmonia tem sido uma importante conquista da humanidade, ao delegar obrigações aos governantes e não apenas aos governados; ao sujeitar todos a controles, direitos e deveres, em vez de apenas prescrever normas para “súditos” de uma autoridade absoluta. A lei regula o direito positivo e reconhece o direito natural, e ela só se faz implementar a partir da organização social possibilitada pelo mesmo poder que, entregando-se aos excessos de si mesmo, pode subvertê-la e agredi-la; é constante o desafio por manter o equilíbrio possível, diante das imperfeições dessa realidade.

O que Ives Gandra está dizendo com maestria é que a constatação principal de seu livro não é fácil, não é otimista, não é agradável, mas importa assumi-la, por responsável e realista. A despeito de reconhecer a realidade do poder, a sua inevitabilidade, mas ao mesmo tempo expor esse retrato pouco enobrecedor de sua práxis, Ives Gandra declara em alto e bom som sua crença muito maior na sociedade do que no poder. A sociedade, exercendo o poder – também ele – de contestação, introduzindo o diferente. A sociedade produzindo, desenvolvendo; não, é muito válido destacar, a sociedade caindo no engodo dos ideólogos e dos revolucionários, os imperadores da demagogia, que, julgando-se acima desses estreitos limites da natureza humana, em verdade, ao fim das contas, sofisticam a argumentação abstrata para um mesmo desejo que anima o homem desde as mais priscas eras. Promovem, como eu mesmo disse há poucos dias, a “corrupção da realidade”, a pior de todas as corrupções.

As apreciações sobre as características específicas da Constituição brasileira e as citações a Gene Rodenberry e à série de ficção científica Star Trek – pela qual, pelo visto, eu e o grande Ives Gandra parecemos compartilhar admiração -, agregam ao charme e à consistência da obra. Próximo à conclusão do livro, porém, certa hesitação me afasta do pensamento do professor; ao passo que critica a ingenuidade de Immanuel Kant ao supor que a disseminação de regimes republicanos pelo mundo seria capaz, em breve, de anular a guerra, Ives Gandra postula que, até o final do século XXI, deve surgir um Estado Universal, com uma característica jurídica a ser acatada por toda uma comunidade internacional. “As relações entre as sociedades tendem a se globalizar, razão pela qual a volta da discussão sobre um Estado Universal não é de todo afastada, principalmente após a experiência da União Europeia, que se transformou num ‘Mini-Estado Universal’”.  Vejo a proposta com preocupação e acho muito difícil garantir que tamanho complexo respeitaria a diversidade de culturas e a soberania das nações; o exemplo comparativo também me parece infeliz, defrontando-nos hoje com a crise do multiculturalismo e do intervencionismo daquele bloco europeu, em tempos de Brexit. Antes ele parece evidenciar os problemas da teoria que as suas virtudes. A História deverá dizer de que lado estará a razão a esse respeito.

Finalmente, a pretexto de discordar do mote, que seria especular sobre essa estranha comunidade internacional imaginária que ainda me parece muito distante da realidade, enterneceu-me o coração o pensamento do autor em reconhecimento das virtudes nacionais, quando ele diz que “neste particular, a maneira de ser da civilização lusíada, em que a integração foi sempre o elemento de maior presença, poderá servir de exemplo. Haja vista que, em idêntico espaço americano, conseguiu manter um país único, com variadas formas de cultura, ao contrário da América Espanhola, que se pulverizou em um número enorme de nações. E a prova maior reside numa integração consideravelmente mais relevante entre as diversas raças no Brasil do que em outras nações, ao ponto de todas as culturas que se somaram posteriormente à portuguesa lá conviverem em perfeita harmonia”.

Gosto do reconhecimento da virtude simbólica da pluralidade mais harmoniosa – não sem imperfeições, mas mais harmoniosa – do nosso povo e da nossa cultura, e me sinto em excepcional companhia ao reconhecer em Ives Gandra alguém que, como eu, mesmo com as críticas, sobretudo em uma obra que se destina a colocar nossos pés no chão, não se priva de expressar sua sensibilidade patriótica.

MEU COMENTARIO

Ives Gandra conta em outras palavras o que venho dizendo – Estamos sob um regime escravocrata e não sabemos como mudar isso. Acusa ele que isso surgiu desde a era das cavernas por motivos de sobrevivência. Ele admite as teorias da divisão dos poderes como a Democracia, porque ele aceita a educação que foi feita para haver governantes e súditos (escravos). Para mim a educação deve ser feita para formar cidadãos conscientes de que podem viver em condomínio de informações verdadeiras, direito irrestrito de prosperar com méritos honestamente aplicados para haver propriedade pessoal e familiar respeitada. E mais, eu admito que serão os próprios Escravos Maiores que até hoje pensam, iludidos de que são Donos de todos os seres humanos, serão eles mesmos que vão proclamar a Libertação de todos, para eles próprios ganharem a libertação de seu pesado jugo que lhes impõe escravizar, fardo incômodo que precisam atirar fora.

Vejam neste BLOG o programa que proponho.