terça-feira, 14 de abril de 2009

DIÁLOGO DO BRUXO DON JUAN COM VOCÊ

ESTE DIÁLOGO COM VOCÊ ACONTECE NA SENZALA 
 
D.JUAN, (será ele o bruxo de Cantañeda?) COMEÇA:
- Os espreitadores que praticam a loucura controlada acreditam que, em questão de personalidade, a raça humana inteira entra em três
categorias - disse ele, e sorriu mostrando que estava preparando algo.
- Isso é absurdo - protesta você (Eu) - O comportamento humano é complexo demais para ser categorizado tão simplesmente.
- Os espreitadores acham que não somos tão complexos como pensamos ser e que todos pertencemos a uma das três categorias.
Você ri de puro nervosismo e pensa: "eu teria tomado tal declaração como uma piada, mas desta vez, porque minha mente estava muito clara e meus pensamentos eram pungentes, senti que ele realmente falava sério".
- Está falando sério? - perguntei, com tanta polidez quanto pude.
- Completamente sério - replicou, e começou a rir.
Seu riso relaxou-me um pouco. Ele continuou explicando o sistema de classificação dos espreitadores. Disse que:
- As pessoas da primeira classe (também conhecidas por eles como "mijos") são secretários perfeitos, assistentes, companheiros. Têm uma personalidade muito fluida, mas sua  fluidez não é nutritiva. São, entretanto, serviçais, preocupados, totalmente domésticos, dispõem de recursos dentro de certos limites, são bem-humorados, têm boas maneiras, são doces e delicados. Em outras palavras, são as pessoas mais simpáticas que alguém pode encontrar, mas têm uma enorme falha: não conseguem funcionar sozinhas. Estão sempre necessitadas de alguém para dirigi-las. Com direção, são perfeitas, não importando quão difícil ou antagônica essa direção possa ser. Entregues a si mesmas, perecem. (São os bons escravos?)
- As pessoas de segunda classe (os peidos) não são nem um pouco simpáticas. São mesquinhas, vingativas, invejosas, ciumentas, autocentradas. Falam exclusivamente sobre si mesmas e em geral esperam que as pessoas se enquadrem em seus padrões. Sempre tomam a iniciativa mesmo quando não se sentem confortáveis com ela. Ficam profundamente desconfortáveis em qualquer situação e nunca relaxam. São inseguras e nunca conseguem ser agradadas; quanto mais inseguras se tornam, mais desagradáveis ficam. (A verdade dói, né?) Sua falha fatal é que matariam para ser líderes.
- Na terceira categoria (os vômitos) estão as pessoas que não são simpáticas, nem desagradáveis. Não servem e não se impõem a ninguém.
Antes, são indiferentes. Têm uma idéia exaltada acerca de si mesmas derivada unicamente de divagações de pensamentos e desejos. Se são
extraordinárias em alguma coisa, é em esperar que as coisas aconteçam. (Estes serão digeridos... que será o que acontece, né?) Estão esperando serem descobertas e conquistadas e têm uma maravilhosa facilidade para criar a ilusão de que têm grandes coisas em suspenso, que sempre prometem liberar mas nunca fazem porque, na verdade, não têm o que liberar.

Don Juan afirmou que ele próprio definitivamente pertencia à segunda classe. Então pediu-me para classificar a mim mesmo, e fiquei chocado. Don Juan estava praticamente no chão, curvando-se de tanto rir. Sugeriu-me outra vez que eu classificasse a mim mesmo, e relutantemente sugeri que poderia ser uma combinação dos três.

- Não me dê essa bobagem de combinação - disse ele, ainda rindo.
- Somos seres simples, cada um de nós é um dos três tipos. E no que me concerne, você pertence à segunda classe. Os espreitadores chamam-nos
peidos.

Começei a protestar que esse esquema de classificação era humilhante, mas detive-me exatamente quando ia começar uma longa discussão. Em vez disso, comentei:
- Se fosse verdade que há apenas três tipos de personalidades, todos nós estamos aprisionados numa dessas três categorias para a vida toda, como escravos na senzala sem esperanças de mudança ou de redenção. Diz ele:

- Concordo que esse é exatamente o caso, exceto que permanece um caminho para a redenção. Os xamãs há muito tempo aprenderam que
apenas nossa auto-reflexão pessoal cai numa das três categorias.
- O problema conosco é que nos tomamos a sério - disse ele. Independente da categoria na qual se encaixa a nossa auto-imagem, isto só importa por causa de nossa auto-estima. Se não nos julgássemos tão auto-importantes, não importaria nem um pouco em qual categoria entramos.

Conclui ele:
- "Sempre serei um peido. E você também. Mas agora sou um peido que não se leva a sério, enquanto você ainda o faz."
 
COMENTAMOS:
Muito boa essa lição de don Juan, o bruxo!
(Bruxo é aquele que abriu a consciência).
E quem entendeu a lição?
Estamos na Senzala dos "espreitadores"... Os Invasores espreitam desde as sombras.
Os bonzinhos são mijo... hahahahahahah!
Os azedos e barulhentos são peidos... hahahahahahahahah!
Os já digeridos são bsta (vômitos?...) hahahah!
Mas será que percebemos o essencial da lição?
Quem enquadra, dirige, e força a loucura controlada são os espreitadores...
Claro está que, ao perceber isso, o bruxo não pode levar ninguém a sério!
Ele despertou a consciência. Sabe quem está decidindo tudo.

E vai dizer com Jó: "Perdoa! Eles não sabem o que fazem!"
 
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Um comentário:

Rafael Arpelau disse...

Que loucura em cima do texto kkkkk
Li essa parte no livro O poder do silêncio